Grupo de dança Os Peritos durante uma actuação no palco da Trienal de Luanda
Fotografia: Paulino Damião
Grupo de dança Os Peritos durante uma actuação no palco da Trienal de Luanda
Fotografia: Paulino Damião
Poetas do Movimento Lev'Arte ganharam um novo espaço para divulgação da poesia
Fotografia: Paulino Damião
Francisco Pedro | - 17 de Setembro, 2010
A Casa de Cultura Brasil-Angola e o Movimento de Arte Lev Arte Angola promovem, no dia 22 deste mês, em Luanda, um encontro de arte e cultura entre os dois países, na qual envolverá poesia, música, humor e outros entretenimentos.

O mesmo foi apresentado pelo professor e escritor Eduardo Bonavena, acompanhado do prefaciador Hugo Fuena e alguns autores presentes no livro. Com destaque para Nguimba Ngola e Júlia Talaia, vencedora do prémio Sonangol-Revelação 2008.
Antes da apresentação do livro os poetas do movimento brindaram os presentes com declamações de poesia, a actuação do quarteto poético e houve também trova com a cantora Nádia Pimentel e Wilmar Tembo.
Um dos objectivos do movimento Lev’Arte é incentivar o gosto pela leitura. Estiveram presentes no acto de lançamento mais de 500 pessoas. O livro ControVerso, de Kardo Bestilo também esteve em destaque nesta noite dedicada às letras.

Todas as quintas-feiras, o grupo Lev’Arte reúne mais de 200 pessoas para ouvir e declamar poesia. Objectivo: permitir aos jovens o acesso ao mundo da arte e da literatura.

A Lev’Arte é um movimento cultural que tem como objectivo levar aos mais novos o gosto pela leitura. As sessões decorrem todas as quintas-feiras na Chá de Caxinde em Luanda. Apesar de haver um programa pré-definido, o público pode inscrever-se para declamar um texto ou uma poesia, seja de um autor consagrado ou da sua criação. A iniciativa serve, por isso, também, para promover novos autores, assumindo--se como um espaço de divulgação daqueles que aspiram a tornar-se escritores e poetas.

O maior objectivo deste movimento cultural é trazer mais pessoas para os livros, em particular os jovens, e aumentar o seu conhecimento cultural. As entradas são livres. Mas a Lev’arte não se esgota nestas sessões. Promove iniciativas noutros locais e assume-se como um dos mais importantes veículos de divulgação da programação cultural do país.

Na última quinta-feira, a Lev’Arte iniciou uma campanha de recolha de materiais para crianças (roupa, brinquedos, livros, canetas, etc.), pedindo a quem vem às suas sessões de poesia que traga nem que seja uma “coisinha”. Esta campanha vai durar até Julho. Depois todos os materiais recolhidos serão entregues a instituições de apoio à criança. Nas sessões de poesia está a ser dado um espaço mais pequenos para recitar, dançar ou apresentar uma pequena peço de teatro.

Para este ano, os objectivos da Lev’arte são ambiciosos, querem juntar 15 mil pessoas nas sessões, sendo que vão alternar as suas apresentações entre o Cine Teatro (Chá de Caxinde) e o Instituto Camões. Vão também promover encontros em locais públicos e apoiar outros nas áreas mais diversas (música, teatro, artes plásticas, etc.). Decididamente eles levam a arte mais longe.

Há três anos que a Lev’arte trabalha para tornar a poesia cada vez mais próxima dos ouvintes e dos leitores. Numa das últimas iniciativas, a Lev’Arte e o Instituto Camões, realizaram no Centro Cultural Português, um evento de Poesia ao vivo com o tema “A Voz da Plateia & Poesia”.
O auditório Pepetela encheu-se de jovens cheios de vontade de fazer e ouvir poesia. O público também fez ouvir-se, quer no palco, quer na plateia e partilhou com o grupo o seu trabalho. O escritor Nguimba Ngola, autor da obra Mátria, foi convidado especial na iniciativa. Durante o serão houve ainda tempo para a música, com a subida ao palco de muitos amigos da Lev’arte.
Para festejar o seu terceiro aniversário, a Lev’arte pretende continuar o ciclo de iniciativas, sempre com o objectivo maior de incentivar a leitura, a criatividade artística o gosto pela literatura e criar condições favoráveis à revelação de novos poetas e obras poéticas.
Neste mês de Agosto, o Belas Shopping preparou mais uma surpresa para si: a Semana da Poesia no Belas. De 25 a 29/08, o Lev´Arte, um dos mais renomados grupos de Poesia de Angola, vai circular pelo shopping, no horário das 20h às 21h, a declamar os poemas de seu mais recente livro.
Enquanto faz as suas compras, você aproveita para assistir às apresentações cheias de sentimento deste talentoso grupo.
Não deixe de vir. Além das melhores compras, o melhor da cultura angolana também espera por si.
Fonte: www.belasshopping.com

Kardo Bestilo, 33 anos, é um dos fundadores do Movimento Lev’Arte, movimento literário que utiliza a poesia como veículo para uma sociedade mais justa e humana. Autor do livro Controverso, Kardo é engenheiro na área das telecomunicações e poeta.
O projecto começou em 2006 com a ideia base de “levar a arte até si”. Seis pessoas, com uma média de idades de 27 anos e alguma experiência ao nível associativo nas escolas, identificou a necessidade de criar um projecto que conseguisse “levar a arte” mais próximo das pessoas. Estava nos nossos horizontes a procura de novos talentos, o interesse em congregar valores jovens que se iniciavam nas artes literárias, e incentivar o gosto e interesse pela leitura. Assim nasceu o Lev’Arte, um projecto sem fins lucrativos mas com muito consumo de energia humana. A sua origem está na necessidade de contribuir para a humanização da sociedade e na ideia de fazê-lo através da arte, tornando-nos nesse processo pessoas melhores. A 20 de Julho de 2006 iniciámos no Kings Club os nossos eventos. O grupo foi crescendo e, neste momento, temos 33 membros inscritos e cerca de 50 amigos que acompanham as iniciativas.

Incentivar o gosto pela leitura e a escrita, cooperar com outras associações, trabalhar com escolas para incentivar esse gosto, levar a poesia mais próximo dos leitores, contribuir para o crescimento dos poetas, realizar palestras em escolas. Também fazemos trabalhos de solidariedade em lares, por exemplo. Em Janeiro deste ano, começou o projecto “Faça uma criança feliz”. Neste evento, as crianças declamam, cantam, dançam, fazem teatro e tem também a componente de levarem um donativo para outra criança. É necessário preparar as pessoas para a solidariedade, e começar este caminho pelos mais novos.
Penso que como sociedade temos as folhas da solidariedade secas. Nas ruas passamos por seres humanos caídos nos passeios, pedintes, e não ligamos. Fica a fazer parte do nosso mobiliário e torna-se um hábito. Histórica e culturalmente acredito que somos um povo solidário, mas claro que o processo atroz de uma guerra deixa as suas consequências. O disparo de uma arma, para muitos de nós, ainda não é algo fora do comum. Há necessidade de mudar isto. E deve começar em nós, não podemos estar à espera que alguém faça algo. Perdeu-se alguma confiança ao próximo, há muita descrença. E de tanto não confiarmos nos outros acabamos por não acreditar sequer em nós próprios. A nossa missão no Movimento Lev’Arte é fazer acontecer, realizar projectos que visem resgatar a solidariedade e isso deve ser feito ao nível nacional. O país está a caminhar a uma velocidade fora do normal. Nos anos 80, falava-se a respeito da Europa, do Ocidente que os vizinhos não se conheciam, as famílias não se viam. Hoje estamos numa fase mais acelerada do que isso, andamos numa corrida frenética pelo “eu” imediato. É preciso destruir essa tendência. Temos de praticar pequenas e médias acções para poder sustentar uma Angola mais solidária, como todos dizem querer.

Penso que residem na formação e logo a seguir no conseguir um emprego. O problema da habitação está também muito presente e a questão da saúde.
Onde há cultura e arte surge a solidariedade. Agora, sem dúvida que muitas pessoas escolhem o caminho mais fácil. Mas há várias formas de ser solidário, e é importante procurar esse caminho porque “humaniza-nos” , torna-nos pessoas melhores.
Foi muito recente. Lembro-me apenas de quando era pequeno fazer poemas na escola para o Dia do Pai Lia, isso sim muito sobre história. Estive a estudar fora, no Reino Unido, e a poesia só surgiu quando voltei a Angola, em 2004, e comecei a frequentar eventos onde se declamava poemas. Nessa altura descubro que não sabia nada de poesia.
Para mim, poesia tinha de rimar. Era muito influenciado pela vaga ideia que tinha do que eram os sonetos lidos na infância. Apaixonei-me pela alma e história da poesia de Florbela Espanca e pela multipersonalidade da poesia de Fernando Pessoa. Li poemas de escritores brasileiros como Assis e Carlos Drummond de Andrade. Tentei perceber a diferença da palavra na mão de um poeta e na mão de alguém comum.
Descobri que a poesia está em tudo. Quando se lê um poeta aprendemos muito sobre a história de um país e, em alguns autores, do mundo também.
Em 2004, assisti a vários eventos do projecto Artes ao Vivo e vi que havia muitos jovens com talento. Achei que poderia passar para outra etapa e fazer uma colectânea de poemas, convidando alguns jovens a participar. Acredito que muitas das coisas tem de ser feitas por exemplo, então decidi eu avançar com o livro Controverso, para dar mais coragem aos outros. Este livro foi um projecto estruturado desde a sua concepção. Sendo da área das ciências exactas e com o sistema de educação que tive, defini logo metas. Iria escrever 90 poemas, um por dia. No final dos 90 dias teria o meu livro. Acabou por não acontecer nada disto. Foram publicados 131 poemas, 120 da minha autoria e 11 de poetas convidados. Havia também várias pessoas a trabalhar neste sentido: a capa foi feita por uns, o prefácio por outros, alguns dos textos são da autoria dos tais autores que convidei.
Decidimos começar a vender o livro, enquanto ainda estava a ser feito, às pessoas que acreditavam nesta nova vaga de talento que estava a surgir. Era necessário que as pessoas à nossa volta, os amigos e familiares dos autores acreditassem. Por isso mesmo, o livro foi patrocinado pelos seus próprios leitores. Em Janeiro de 2007, fizemos o lançamento e agradecemos às pessoas que acreditaram e apostaram neste livro. Foi um desafio, uma resposta à tendência de não confiar no próximo.
Tinha boas notas a Física e Matemática. E fui encaminhando tudo nesse sentido. Saí de Angola, fui para o Reino Unido e comecei a perceber a beleza da electrónica, e a ver que me podia ajudar na realização de alguns sonhos. Nesta altura ainda não escrevia.
É controverso. Tal como antes dizia-se que o ballet não era para homens. Não existem ciências exactas sem coração. Tal como não existe coração sem mente.
Temos passado timidamente por algumas províncias como Malange. Estamos a fortalecer o pólo de Viana para avançarmos para Cacuaco. Antes de expandir precisamos de consolidar em Luanda, que está mais ao nosso alcance, para depois conseguirmos projectar para as restantes províncias mais distantes. Batalhamos também pela consolidação deste projecto que se transformou num movimento. Como dizemos sempre, onde há ar há espaço para a arte.
Espaços com condições para a realização de um evento de poesia ao vivo. As livrarias também. Isto tudo é um ciclo que é sustentando pela leitura. Para melhor escrever e falar é preciso ler. É preciso outra dinâmica na gestão das livrarias.Por exemplo, porque razão não se fazem lançamentos de livros nas livrarias? A cultura de compra de livros é um obstáculo. Há livros de 500 a 1000 kwanzas que não são comprados, mas grades de cerveja e saldo de telemóvel são vendidos aos milhares todos os dias. Também era preciso haver uma melhor política de importação de livros, que faria baixar um pouco o preço. Os livros deviam ser subvencionados. Estamos a trilhar um caminho para chegar a excelência enquanto país e devíamos alimentar isso facilitando o acesso ao conhecimento.
Em primeiro lugar, estamos a crescer e a trazer cada vez mais pessoas às nossas iniciativas. Em 2006, cerca de 2000 pessoas assistiram aos nossos eventos; este ano de 2009 já vamos em 10.000 e esperamos chegar às 18.000 no final do ano. Temos um laboratório vivo nos nossos encontros. O jovem tira um poema da gaveta e partilha com o público, com as cerca de 150 pessoas que vão aos nossos eventos. Pode daí retirar um feedback imediato daquilo que é o seu trabalho, qual a recepção que tem no público. Incentivamos a partilha de experiências. Damos apoio a pessoas que trazem textos e querem transformá-los em livros, dando a nossa apreciação. Apoiamos também na fase de lançamento dos livros. Fazemos com que o sonho de um jovem escritor se torne realidade. Nós fazemos acontecer.

Mátria é um livro que nos leva para o imaginário poético de um país visto por uma das novas promessas da literatura angolana. Nguimba Ngola já tinha diversos poemas publicados, no extinto semanário A Palavra, no livro Contorverso de Kardo Bestilho, suplemento Vida Cultural do Jornal de Angola, entre outros.
Na cerimónia de lançamento estiveram diversas personalidades ligadas ao mundo das letras, tendo o escritor Mário Rui recitado um poema do autor.
Natural do Bié, Nguimba Ngola é o pseudónimo do cidadão Isalino Nguimba da Cruz Augusto, um jovem que começa agora a caminhar pelo caminho das palavras. O livro foi editado pela Arteviva, Edições e Eventos Culturais, tendo sido apresentado no centro de Luanda, no espaço da União de Escritores Angolanos.

O movimento Levarte não conhece paragens nem abrandamento na sua missão, e continua a trilhar o seu caminho no sentido de levar a arte nas suas diversas formas até ao público.
Nos eventos que o grupo tem organizado nos últimos tempos, com assinalável regularidade, destaque para o “Grande Show de Poesia” que decorreu no passado dia 10 de Outubro numa sala do Hotel Trópico, em Luanda.

A noite era de gala e os presentes vestiram-se a preceito para a grande noite de festa. Para além da poesia, houve tempo para a música, dança e teatro, num convívio que aproximou pela arte as várias dezenas de participantes do encontro.

Vários poetas de todas as idades, o trovador Zé Kafala e o Colectivo de Arte Tata Yetu foram alguns dos principais atractivos do evento.
Todos aqueles que se deslocaram até ao Hotel Trópico na compra do bilhete de entrada receberam de oferta um livro da autoria de um escritor angolano. Entre os livros para oferta constavam “O Neo-realismo na Poética” de Agostinho Neto, de Júlia Talaia, prémio Sonangol revelação 2008, “Uma Maria João e uns Knunca”, de Luís Rosa Lopes, “Matria”, de Nguimba. Ngola e “Controverso”, de Kardo Bestilo.

Esta oferta foi uma forma de “incentivar as pessoas e dar-lhes a oportunidade de praticar o exercício da leitura e enriquecer a sua cultura”, referiu a organização.
DIVULGAÇÃO NACIONAL DA PRIMEIRA OBRA LITERÁRIA DO
MOVIMENTO LEV´ARTE
O LIVRO QUE FALTAVA PARA COLORIR A TUA MENTE E PREENCHER A TUA BIBLIOTECA
COM UMA SÓ PALAVRA ESCREVE-SE UM POEMA
EM UMA SÓ PALAVRA, ENCONTRA-SE UMA HISTÓRIA
PALAVRA FALADA
PALAVRA ESCRITA
PALAVRAS
Lev´Arte é um Movimento Literário que tem a Poesia como ponte e veículo de deslocação para atingir os seus fins.
1. Incentivar a leitura, a escrita, a criatividade artística e o gosto pela literatura;
2. Humanizar o comportamento das pessoas através da arte;
3. Publicação de obras cientifico-literárias;
4. Levar a arte cada vez mais próxima dos seres humanos;
5. Promover o intercambio cultural entre os destintos actores da arte a nível global;
6. Divulgar e realizar acções socio-culturais. Criações Literárias.
Poesia com Artes ao Vivo no Bahia
Local: Restaurante Bahia
Hora: 20h30
Poesia no Chá “Amigos de Zeisolde x Amigos de Kiocamba”
Traga: Um caderno, um livro, um jogo de lapiseiras, etc.
Vamos ajudar uma criança a Ler, Escrever, a Criar...
Poesia com Movimento Lev´Arte no Chá
Local: Cine Nacional Teatro “Chá de Caxinde”
Hora: 18h30
Tarde de Poesia
Poesia com Movimento Lev´Arte em Luanda
Local: Casa da Juventude em Viana
Hora: 16h00
Linha da Arte: (+244) 927 00 17 80
O Lev´Arte nasceu aos 20 de Julho de 2006.
Este ano (2009) apagamos a terceira vela do Movimento.
Estatísticas aproximadas:
Ano - Nº de Pessoas que assistiram aos Eventos do Lev´Arte:
Estatísticas aproximadas:
em 2006 - 2400;
em 2007 - 4600;
em 2008 - 11862;
em 2009 (até 25 de Julho) - 10181.
Obrigado pela força!
Item Evento Nº de Plateia Local do Evento Nº de Eventos
1 Poesia a Quinta-Feira 6150 Instituto Camões 36
2 Feira do Livro 180 Cefojor 1
3 Volta da Fogueira 3259 União dos Escritores Angolanos 11
4 Lua de Mulher 279 Cefojor 1
(Homenagem à Mulher Fora de Março)
Objectivos
Os Nossos Sites
http://www.levarte.bravehost.com/